Belo Amanhecer

Janeiro 26, 2008 by alenderman

Um dia que parecia como outro qualquer, não, ninguém transformou-se em barata, ou a morte, com suas intermitências, resolvera tirar férias ou cochilo, ou então de um semáforo todas as pessoas tornaram-se cegas. Não, neste dia, que, conforme ditas há um punhado de palavras logo ali, qualquer, porquanto não importa se amanhecera chovendo, ou calor, ou frio (o que é raro para este aqui que escreve, do lado debaixo do Equador, em local para muitos desconhecido), neste dia aconteceu talvez o que fosse o sonho de toda pessoa, embora as mulheres e os homossexuais mais o desejassem. Todos, absolutamente todos, acordaram explendorosamente belos. Não recordemos nada, pois este conto praticamente acaba de nascer, porém na noite anterior a este dia que acabamos de falar, que, repito, parecia comum a todos, em algum lugar, ou em muitos, alguém, homem, ou mulher, deitar-se-ia prometendo no dia de amanhã, ou na próxima segunda, ou em qualquer ocasião que possa siginficar um início, não imediato, mas com algo de solene, dir-se-ia: começarei um “regime”, entrarei para a academia e cuidem-se todos da minha beleza sublime. Ao mesmo tempo estaria alguém extremamente ansioso, em jejum, afinal no dia, neste (não repetiremos as razões) dia aparentemente comum, preparar-se-ia para uma cirurgia plástica, imaginando-se qual seria o resultado, ou melhor, o resultado desejado, evidentemente, pois o indesejado não pode sequer passar pela mente, ao cabo de onze horas de jejum, que podem colocar toda a vontade abaixo. Pois bem. Amanhecera, e ambos, e quantos mais outros que se achavam abaixo da linha, não da pobreza, eis que esta não é de tão fácil solução, especialmente cá para os lados do sul do globo, mas da beleza, onde independentemente da classe social, alguns têm a sorte de serem belos, naturalmente, outros, no entando podem depender de fato da sorte, não da beleza, porém dos abastados recursos, próprios, ou de crédito, de outrem, especialmente em época onde pipocam os créditos ao público, e as prestações a perderem-de-vista, cabem folgadamente nos bolsos e quem há de se preocupar com o amanhã, eis que o amanhã é só velhice e morte, ou esta sem a anterior. Sem mais delongas, amanheceu e todos, absolutamente todos, estavam belos, lindos maravilhosos. Como num passe de mágica, somem os gordos, os excessivamente magros (os magros não porque a beleza neles ainda reside), porém todos os corpos agora estavam belos, modelos saídos de um forno, de uma fábrica e todos, todos os desejos, e os indesejos de beleza haviam sido atendidos, dos mais recônitos aos mais evidentes. Não demorou a surpresa estampada no rosto e nos gritos de quem acordava. A cabeça era a minha, porém, como num exercício infantil, alguém havia passado a tesoura em meu corpo e colado um manequim abaixo do pescoço, ou igualmente abaixo do rosto. Ah, este por seu turno não poderia ter ficado intocado. Aparentava-se idades, porém as linhas, e rugas de expressão haviam sumido, e todas as mulheres, e todos os homens, como num passe de mágica, haviam retornado para a casa dos trinta-trinta e cinco anos, em alguns casos do quarenta, eis que milagres, embora tenham esse nome, não têm o condão de a tudo consertar e prever. Quarenta anos estava bom para um caso onde não havia remédio em toda a medicina, como diria a sapiência do cancioneiro popular.

O espanto foi geral. A alegria percorrera todos os lugares, aparentemente. Nas cidades, era só alegrias e mais loas de felicidades a quem interessar possa. Se era impossível se reconhecer, imagina ao outro. Nossa, parece que você está mais novo. Diria o mesmo a respeito de você, remoçou de tal maneira que quase não te reconheci. Pais e filhos mais pareciam irmãos e tios não tão mais velhos assim. A beleza havia sido devolvida aos rostos dos mais velhos e, quem teria vergonha de dizer que havia passado dos sessenta e cinco. A idade das mulheres deixava de ser uma esfíngico enigma e era amiúde difundido. Você sabe aquela minha vizinha ou tia ou amiga ou mesmo conhecida, várias dezenas de primaveras completas e parece que vários anos foram apagados do seu prontuário visual.

Feriado auto-decretado. Era direito da humanidade, naquele dia, talvez o mais feliz desde que a existência assim se proclama, desconhecendo-se a felicidade do casal original, Adão e Eva, no paraíso, antes da maldita serpente haver oferecido aquele fruto, não se sabe se maçã, pera, romã, manga, uva ou o que fosse, Moisés não deixa claro qual é, mas a sabedoria popular convencionou dizer tratar-se da maçã. Se Deus de fato pertence a esta nação verde-e-amarela, Isabel e Castela, deveria o fruto proibido ser uma jaca, jabuticaba, mangaba, cupu-açu (antes de os japoneses terem-no patenteado) ou açaí. Enfim, qual seja a fruta, cuja semente ou gérme escondia-se o pecado, naquele tempo aterior, a felicidade conhecia o casal original livre de toda e qualquer preocupação. Agora, a humanidade estava livre para regozijar-se com o que fosse, aproveitando a beleza devolvida ou volvida a um pequeno rosto acostumado à baixa autoestima.

Comment Post ou Post Comment

Janeiro 15, 2008 by alenderman

Caro escritor-Alenderman, ou quem quer que escreva este Blog.

Achei até bacaninha essa história sobre o tradutor e sua palavra quase misteriosa. Legalzinha sim e quem sabe isso te desse algum futuro. Porém, eu acho que essa história de tradutor, e palavra misteriosa e coisas misteriosas que de repente viram protagonistas e narradores, chega. Pode confundir muito. Aliás, acho que está na hora de você pensar em escrever outras coisas, outras histórias.

Poderia aqui te elogiar, falar muito, ou como você acostumava a ler nos seus livros de direito, “tecer lôas ao seu trabalho”. Mas eu acho algo muito banal, até mesmo “flat”. Você é grande fã de Saramago, Adora os filmes de Fellini e Almodóvar e acho você na verdade um grandecíssimo plagista. A história é sua, ok, mas as idéias, as coisas, você as tirou de alguém. Pare com isso!!!! Escreva histórias comuns, invente um novo Harry Potter e fature milhões de euros, e chega da sua vidinha de funcionário público.

 Grato

 Comment

Saga do Tradutor - Final II ou será este o final?

Janeiro 11, 2008 by alenderman

Mas que absurdo é esse? Onde já se viu o final de uma história com vontade própria assumir o controle das coisas e inventar de terminar assim? Não há qualquer consciência do que pratica?

Consiência provavelmente não há, porque agora e ela mesma quem fala. Isso, sou a consciência em pessoa, ou melhor em caracteres que vai tentar arrumar a bagunça feita pelo senhor final.

Mais do que ninguém eu me preocupo com o sentido e a moral das coisas. Claro que muita gente não dá bola, não está nem aí para o que eu digo. Não costumo falhar, não sei, quer dizer, posso até falhar porque sou humana acima de tudo, mas normalmente quem me escuta costuma ir pelo caminho do bem. Ah quando não me ouve! Há uma dor enorme que sinto na pele. Posso ser taxada de ser somente preocupação, entetretanto prefiro pensar que sou apenas uma voz a dizer qual o melhor caminho para as coisas, quando se pensa direito nelas.

Não foi o que fez o senhor final. Simplesmente invadiu este blog, tal qual um hacker e veio aqui colocar o seu ponto-final sobre o assunto, quando eu acredito que há muita coisa faltando.

Qual é a palavra misteriosa afinal de contas? Será que o autor sabe de quem se trata? O final diz que ele não sabe, que isso é assunto apenas de Alenderman.

De uma certa forma, mas um pouco de sentido: a palavra misteriosa somente apareceu para Alenderman, inclusive na forma de uma mulher misteriosa, e talvez de um pescador, ou até mesmo de um buquê de rosas. Mas qual o verdadeiro significado dela, despertado a partir desse sonho confuso (pleonasmo, jamais vi um sonho que não fosse confuso, porque, como parte do ser humano, eu prefiro descansar também durante o sono, mas posso intervir até no conteúdo dos sonhos). Aí Alenderman acorda e descobre qual era a palavra. E que palavra é essa meu Deus???

Na verdade estou tentando também descobrir que palavra é essa, mas parece que de fato Alenderman guarda o verdadeiro segredo. Apesar de ser a consciência, não consigo enxergar qual a palavra que despertou Alenderman, e de fato, o fez tornar um escritor, não somente um tradutor, um repassador de informações.

Olha só o que dá quando você tenta invadir essa história!!!

Quem está falando?

Eu, o final, vi que você tenta falar mal de mim neste post.

Ei, o que você faz por aqui. Já não basta o que aconteceu no post anterior? Agora é minha vez de dar o final da história, quer dizer, encerrar, porque o final é você e você já fez o que tinha que fazer, ou melhor, estragou tudo.

 Se estraguei, não é da sua conta, afinal o autor sequer apagou o post e o teria feito se tivesse reprovado. Até um comment eu já ganhei, sua consciência invejosa. Depois fica por aí dizendo que é só virtude né. Acredito… Olha o seguinte. Eu sou o final e sem mim você não vai conseguir encerrar essa história. Eu já a encerrei. Está acabado, morto e enterrado, o que mais você espera? Aliás, você deveria era estar lisonjeada com o final que eu resolvi escrever.

Eu, lisonjeada por quê? O que eu tenho a ver com o seu final?

Tem tudo a ver, consciência, afinal você acha que a palavra secreta tem a ver com o que, heim? Com bolo de nozes é que não tem a ver. Aliás, por quê falei em bolo de nozes? Foi a primeira coisa que me veio na cabeça. Mas enfim, olha, você acha que uma história dessas tem a ver com outra coisa? O que mais é mistério, o que mais é dor, escuridão as vezes e até nos faz sangrar? Ou você é tão boazinha assim heim, quando tenta frear os impulsos humanos, ou quando inflige um conhecimento das coisas, tal qual a expulsão do paraíso? Ora, você acha que Alenderman deixou de ser tradutor por qual motivo heim? Por quê ele haveria de repassar ao mundo todas as informações que recebera até agora? Só tem uma explicação, cara consciência, é que ele resolveu dar ouvidos a você e escrever o que lhe vem na mente.

Poxa, não havia parado pra pensar nisso. Agora quem está com dor de consciência sou eu mesma. Poxa vida, que ingratidão. Estou muito magoada comigo mesma, e sinto uma enorme dor aqui dentro.

 É minha cara, senhora da razão. Você acha que só você sabe das coisas é? Ou você acha que eu seria um impiedoso final sem coração nem nada? Toma tento, mulher. E cuidado com o que pensa e o que escreve, afinal você pode induzir as pessoas em erro também, viu.

É, agora terei de pensar na minha infalibilidade.

E o que você escreveria a respeito do final da história, heim, sabichona?

Ah, estou com tanta dor em mim mesma que não sei nem o que haveria de escrever, acho que de fato nem saberia qual outro final dar a essa história, Apenas havia pensado que o seu final era muito do insatisfatório. Mas devo dar a mão à palmatória. Você fez muito bem o seu trabalho. Cada um deve ficar no seu lugar mesmo. Essa experiência foi um pouco dolorosa para mim. Lamento muito e peço mil perdões pelo ocorrido.

Qual o que, também não é para tanto. Aceito suas desculpas, porque, embora final, eu sou piedoso. Normalmente as histórias têm um final feliz, especialmente em novelas. Na literatura e em alguns filmes não mas não seria o caso agora. Fique tranquila, desculpas aceitas.

Tudo bem, muito obrigado e a partir de agora pensarei melhor no que direi.

Que tal contribuir com Alenderman para a construção de uma nova história?

Excelente idéia. E acho até que às vezes devo me ausentar para que a coisa fique realmente boa.

Muito bem, minha garota, é assim que se fala.

 

Saga do Tradutor - Final

Janeiro 11, 2008 by alenderman

Já era hora mesmo de colocar um final nesta história. Que mais adianta continuar a falar, falar, falar, ou melhor, escrever, escrever, escrever sobre um tradutor que se depara com uma palavra “mágica” no livro que traduz, que percorre toda uma noite atrás dela, inclusive em sonhos, para depois conseguir decifrar. Bah, que coisa mais previsível. Isso lá é história a se escrever? Só poderia mesmo brotar de uma cabeça que, sem nada de útil pra fazer, resolve colocar num blog as suas sandices.

Agora, como fico eu, o final desta história? Como é que aquele autor, esse que agora me escreve, ou melhor, que já me escreveu, porque o texto está pronto, vai conseguir finalizar esse texto? Aliás, quantas e quantas vezes o final de uma história não é algo bem descepcionante? Várias e várias, eu aliás poderia enumerar várias histórias em que eu fui simplesmente jogado lá e não agradei aos leitores. Como é que o final de uma história pode ser tão chato, ou tão desconexo ou tão sem-final como já aconteceu inúmeras vezes?

Olha, não vou deixar isso aqui acontecer não. O autor vai se ver comigo. Teremos uma conversa muito séria. Sei que ele está empenhado na construção de um final bem interessante, tanto que há um outro rascunho aqui no wordpress que não foi publicado porque o nosso autor não gostou muito do resultado. Enfim. Sei que colocar pontos-finais em muita coisa é difícil, mas há que haver um final, ou as coisas deveriam ficar em aberto?

O final de qualquer coisa sempre é complicado mesmo. Que digam a morte, o final dos relacionamentos, de uma viagem, demissões e afins. Mas calma, também não é para tanto. Estamos apenas em uma pequena história em um blog aí jogadão no big bang da internet, um universo em constantíssima expansão, que progride muito mais que qualquer índice de qualquer coisa. Aliás, sandices por aqui não faltam, e espero que esta experiência aqui não se torne mais uma.

Alenderman conseguiu traduzir a palavra misteriosa, entregou os trabalhos à editora e foi muito bem recompensado por isso. Não digo que ele se tornou famoso após essa tradução, porque os tradutores, apesar do imenso trabalho que possuem, não costumam ser famosos, afinal eles não produzem a arte, mas têm o enorme trabalho de transpor um texto de um idioma, uma cultura, um universo ao outro, o que nem sempre é fácil, tendo em vista as expressões idiomáticas, gírias e elementos próprios de cada cultura, cada país. Mas Alenderman ficou satisfeito com o trabalho efetuado, e aquele trabalho serviu para inspira-lo em outros, e na verdade, agora sim começa a verdadeira história, que é justamente a de que Alenderman iniciará a produção de textos próprios, que é talvez, na verdade, o que significava a palavra misteriosa.

Aliás, pensem comigo: qual seria o significado de uma palavra que aparecesse assim do nada em um texto, somente no seu texto e de mais ninguém, não catalogada em dicionário nem em lugar algum? É algo que somente poderia se decifrado pelo leitor, por ser algo muito pessoal e íntimo. O significado dela veio, conforme foi visto, no sonho de Alenderman. Os sonhos são a linguagem do inconsciente, que utiliza-se de elementos que são totalmente desvinculados da nossa linguagem comum. Aqui não cabe fazer uma interpretação do sonho de Alenderman, e deixo essa tarefa ao leitor, mas desde já adianto que todas as imagens lá descritas não foram sequer planejadas. Saíram diretamente da cabeça do autor, que imaginou um sonho e colocou diretamente aqui, sem pensar nem nada.

O fato é esse: esta história aqui termina. Sei que este final está meio chinfrim, mas é o que foi possível fazer. Como disse, todo final de história, salvo raras exceções, não possui uma arrematação adequada, e acredito que nem sempre isso é desejado. É bom deixar algumas coisas no ar, à livre manifestação do pensamento de quem lê. O autor mesmo era, e ainda é, viciado em literatura, e talvez resolvesse aqui escrever para retribuir, ou acrescentar alguma coisa no mundo da literatura, sem qualquer intenção de ser um autor famoso. Aqui é a arte pela arte, sem qualquer intenção de dar lição de moral ou qualquer outra coisa. Imaginem que o autor quase fez isso no sonho de Alenderman, mas esse rascunho foi abandonado e está perdido por aí no limbo dos caracteres dos computadores. Enfim, é isso, o final dessa história, que sou eu, está aqui diante de vocês, e acredito que estou falando demais, embora este post tenha muito menos palavras que os anteriores. Mas assim é bom, para não cansar a leitura. Até mais.

Saga do Tradutor VI

Janeiro 4, 2008 by alenderman

Que barulho é esse? Algo como uma torneira, ou uma cachoeira, mas não podia precisar da onde, dada a amplidão do local. Em poucos minutos percebeu a sala, nos vãos, inundar-se e a água atingir até o topo dos muros, a formar ilhas em meio à água turva, parecendo água de rio, de chuva ou de córrego de cidade, cor marrom mesmo. Praticamente impossível enxergar o chão, e junto com a água apareceram alguns peixes pequenos, como que nadando naquele aquário insólito, vários peixes, muitos mesmo que pareciam multiplicar-se à progressão geométrica. Um pescador que aqui lançasse sua rede, teria sem dúvida uma pescaria muito farta, não obstante a cor da água a sugerir poluição do ambiente. Aliás, parece que alguém, ou a imaginação de Alenderman ouviu esse raciocínio do narrador e de fato, havia um barco de pescador vindo em direção do nosso tradutor. Barco? sim, barco, um barco desses bem rústicos, simples ao demais, e na ponta dele, um homem, vestindo bermuda e camiseta regata, barba por fazer e pele castigada pelo sol, lançando sua tarrafa pelas águas, e a recolhendo imensamente repleta de peixes, de todos os tamanhos e formas. Sorria, sorria demais. Passou por Alenderman. Olá parceiro, nunca tive um dia de pescaria tão farto como o de hoje. Quisera todos os dias fossem assim. Haverá um banquete para mim e minha família. Por quê você não pega uma rede como essa também e não experimenta lançar e leva uns peixes para comer com sua família?

Pergunta mais cretina, se fosse possível ler o pensamento de um observador isento. Primeiro que Alenderman é solteiro, não tem mulher, ou filhos, quiçá não os terá jamais, segundo, nosso tradutor lida com palavras, não com pescaria e até onde se saiba, não havia em qualquer outra oportunidade lançado qualquer rede a um mar ou rio para pescar. Nem com vara e molinete o havia feito, quanto mais com uma tarrafa. Mas o fato é que ao seu lado havia uma, dobradinha, esperando somente para ser atirada à água e aprisionar tantos peixes quanto os que ela seria capaz de pegar.

Alenderman imaginou que de fato poderia ser capaz daquilo. Pegou a rede, e seguindo as orientações do pescador, lançou-a do mar, a partir da ilha (ilha do ponto-final, recordam-se?) e observou a rede afundar-se na àgua turva. A seguir a recolheu. Estava pesada, muito pesada, muito mais pesada do que estava quando havia segurado no ar para lançar. Não era só o peso da água, havia algo mais, e parecia que de fato comungaria da mesma fartura que o pescador.

Puxava e puxava a rede com dificuldade, dada a força que teria de empreender para conseguir retira-la da água. Subindo aos poucos, a tarrafa voltava à ilha, e, incrível, no seu final não havia peixes. Não senhor, apesar de todos aqueles que estavam a nadar  e não paravam de circular pela água, não havia pescado um peixe o nosso Alenderman. O que vira era um buquê de rosas vermelhas, desses de vender em floricultura, rosas incrivelmente vermelhas quase cor-de-vinho, gigantescas, como rosas colombianas. Apareceu tal buquê, intacto, e totalmente seco, como que imune à influência das águas.

Sua pescaria foi de muito mais importância que a minha, amigo, parabéns. Dito o pescador sumira, junto com barco, peixes, tarrafa, água turva, parede, sala com caracteres e só havia aquele buquê de rosas em meio à sala totalmente branca.

Pegou-o nas mãos Alenderman. Exalavam um odor de flor de laranjeira, muito agradável, quase que sugerindo fossem deglutidas. Mas eram rosas, e deveriam cheirar como tal.  Pareciam estar desbotando, ou havia uma tinta saindo delas. Não, não era tinta, era sangue. Viscoso e com a cor característica. Do centro de cada rosa jorrava sangue, que escorria por dentre as pétalas, pelo cabo (não sei o nome do cabo, se alguém souber, por favor, coloque no post e me ajude). Até escorrer pelas mãos do nosso tradutor, que, mal percebera, mas já estavam completamente cobertas do sangue das rosas, e já escorrendo pelas mangas da camisa que usava, e por todo o corpo. Quem sangrava agora era Alenderman, coberto de vermelho, como que atacado por algum estranho animal ou com alguma peste que seu sangue subir em erupção até derramar por todo o corpo. Nosso tradutor, coitado, não é dado a gostar de sangue, e ante a visão estarrecedora (mais uma), não teve outra alternativa que não desmaiar, ou melhor, acordar.

Na sala, tudo como dantes, livro, um contato no msn piscando, com mensagem não muito importante, apenas dando boa noite, quando a mensagem fora dada, isso porque já são quase seis horas da manhã e Alenderman dormiu por sobre o trabalho que estava realizando. Olhou mais uma vez o livro, e o texto escrito e todo o resultado de sua pesquisa. Mentalizava a respeito do sonho, ou pesadelo, ou sonho-pesadelo que tivera, apesar da embriaguez que um despertar de uma noite agitada traz. Melhor aproveitar ainda e tirar um cochilo na cama, nas horas que ainda restam para de fato acordar. Era privilegiado em trabalhar em casa e, havia se programado para iniciar os trabalhos às oito da manhã.

Trocou de roupa e deitou-se como se fosse aquele o primeiro sono da noite, que já não mais havia. Encostou a cabeça no travesseiro e dormiu um sono bem profundo, sem sonhos agora. Melhor, sem sonhos. Sou um autor bonzinho e vamos deixar o nosso Alenderman descansar. Mas ele resiste. Como que uma lâmpada, ou um raio, ou um eureka apareceu para o nosso tradutor. Como não pude pensar nisso antes? (olha o clichê novamente, mas lamento, inevitável, é meu primeiro texto literário e não me exijam uma maestria que não possuo, e quiçá possuirei). Mas é isso. O enigma da palavra desconhecida estava decifrado para Alenderman.

Saga do Tradutor V

Janeiro 3, 2008 by alenderman

Estarrecido, como sabias o meu nome? Eu estou no seu sonho, Alenderman, aliás, não só nele, como também não saio da sua mente já faz um tempinho, não é? Quem é você? Sou o mistério que você não consegue decifrar neste livro que você pensava conhecer, meu querido. Mistério? Sim, mistério. Você acreditava que seria apenas uma tarefa como outra qualquer de, sem mais nem menos transportar idéias para o português do Brasil? Enganou-se, eis você aqui parado, extasiado diante de algo que não consegue, e duvido muito consiga dizer do que se trata. Melhor desistir, Alenderman, você não é capaz do que se propõe a fazer, é um trabalho muito maior do que você acredita.

Não conseguia sequer esboçar uma reação ao que via e pior, ao que acabara de ouvir. Havia se tornado estátua de sal diante daquele mistério convertido em pessoa (onírica), mas convertida e que diante dos seus olhos não so se apresentava, como também o desafiava a dizer que não seria ele, Alenderman, tradutor graduado e pós-graduado a simplesmente descobrir o significado de um simples verbete.

Chega de ficar em êxtase, paralisado. Vamos, Alenderman, faça alguma coisa. Senhora palavra, por acaso você acha que eu seria incapaz de traduzi-la? Sim, não só acho como tenho certeza do que estou dizendo. Ah, muito bem, que bacana, bom, primeiramente devo dizer que é a primeira vez em minha vida que converso com uma palavra, tudo bem que você está no meu sonho e enfim, mas oportunidade é oportunidade. Achei que fosse um encontro um pouco mais amistoso, já que lidar com palavras é algo que faz parte do meu dia-dia já há algum tempo. Entretanto jamais imaginei que se daria de tal forma beligerante. Aceito seu desafio e acredito que serei sim capaz de decifrar o seu conteúdo. Parece de fato que você é exclusiva daquela edição e que você não consta em qualquer dicionário ou registro que tenha procurado até agora. Tudo bem, mas a pesquisa é constante e hei ainda de saber do que você trata, minha cara. Se não for possível por via direta, será por vias tortas, pesquisarei até onde me for possível, mas encontrarei as respostas que procuro e você as verá!

Quem agora estava estarrecida era a palavra, ou digamos a Palavra, com maiúscula como convém a uma entidade, ainda que meramente fictícia, fictícia ao quadrado, porque personagem desta história e porque faz parte de um sonho, aliás, ao cubo, porque é personagem da personagem. Não fui eu quem criei, foi a imaginação de Alenderman!!! A nossa Palavra, de lindo aspecto e aparência doce, porém desafiadora, contra-ataca: Olha, você não sabe no que está se metendo. É perigoso desafiar o desconhecido. Ora essa, desde quando uma palavra tem o dom de me ameaçar? Gostaria de ter uma conversa muito mais amistosa com você, mas você além de difícil, me afirma pela impossibilidade de decifrar o seu conteúdo. Enigma da esfinge é em outra história, não aqui, favor colocar-se no seu devido lugar. Ora, agora debocha de mim. É claro, você debocha primeiro de mim, e o que espera a esse respeito, que eu venha de cabeça baixa e aceite essa idéia sua esdrúxula de não traduzir, de parar por aqui e virar as costas e ir embora? Negativo, passarei por você como passei pelas demais palavras e agora, mais que nunca, empenhar-me-ei ao máximo para decifrar seu signficado.

Palavra, que até então ostentava um ar orgulhoso, transmutou-se em ódio. Alenderman, o desafio está lançado então. Você vai arcar com as conseqüências dos seus atos e sentirá o que é deixar um vocábulo irritado. Até onde eu sei, vocábulos não possuem sentimentos. Ora, Alenderman, eu sou o quê então? Sonho meu? Era, pois agora prepare-se para o pesadelo começar.

Sumiu-se. Palavra não estava mais lá, e no seu lugar, havia apenas um buraco, uma ferida marrom naquela sala totalmente branca e cheia de letras escritas no chão. Fez-se curto silêncio no que Alenderman ouviu um apito, bem agudo vindo não sabe-se de onde e espalhar-se por toda a sala. Agora incomodava, e muito, tal qual fosse possível estourar os tímpanos com um guizo dessa natureza. Fechou os olhos e ajoelhou-se ao chão tamanha era a dor que sentia nos ouvidos, e soltou um grito tão forte ou mais do que aquele primeiro na sala totalmente fechada e escura.

Sentiu o chão tremer, e, não obstante o guizo, abriu os olhos e via cada palavra da sala transformada em parede (encontrava-se Alenderman, por coinciência, nas entrelinhas do texto) muito grande, de mais de quatro metros de altura de sorte que parecia encontrar-se num labirinto.

Cessou-se o apito, hora de prosseguir viagem. A questão era como faze-lo ante o surgimento de paredes que dificultam a enxergar a aparentemente impossível saída. Alenderman pôs-se a caminhar nas entre-linhas e nos espaços entre as palavras, agora, muros impenetráveis, a fim de saber como sair daquele misterioso local.

Caminhava com dificuldade nos estreitos corredores, cujas paredes eram por demais ásperas, tais quais muros tão-somente chapiscados, em cor cinza, num aspecto de quase abandono e ausência de qualquer significado. Pelos seus cálculos, após a palavra misteriosa, faltaria pouco para o final do capítulo e era melhor seguir dentre os muros para ver se se achava uma saída ou algo que o valha. Alguns minutos a seguir e deparou-se com o imenso ponto-final, tal qual torre, encravada no canto da sala. O engraçado era que o ponto final possuía uma espécie de escada incrustada em toda a sua extensão.

Alenderman pôs-se a subir tal escada e ao cabo de uns minutos alcançou o topo. Era possível ver toda a sala com suas paredes imensas e emersas, tal qual um mar de paredes. Lá sentou-se para admirar a paisagem enquanto pensava no que fazer para encontrar uma saída.

Saga do Tradutor IV

Dezembro 29, 2007 by alenderman

À frente do livro aberto, após deparar-se com a palavra misteriosa, Alenderman não havia descansado por um minuto sequer. Aquela descoberta o havia excitado de tal maneira que esquecera das necessidades básicas de um indivíduo, tais quais alimentação e descanso. Nosso tradutor estava há umas doze horas debruçado sobre aquele árduo e incomum trabalho de localizar o significado de uma palavra desconhecida, absolutamente desconhecida.

Porém, o peso do cansaço foi-lhe recaindo sobre seu corpo. Mal conseguia manter aberta as pálpebras e enxergar em sua frente o computador. Havia pesquisado onde fosse possível, inclusive com amigos via msn messenger, no entanto, nada de resposta quanto ao misterioso vocábulo.

Adormece. Mesmo naquela desconfortável posição, o sono vem com tal força e profundidade, que é capaz de atravessar todas as fases até que a consciência encontra o mecanismo de fazer-se descansar e lança Alenderman no mundo dos sonhos.

Acordo. Enorme escuridão ao meu redor. Pouca diferença faz manter os olhos abertos ou fechados. Mas que sala estranha. Há pouco tempo jurava, estava eu debruçado na tradução do importante livro e procurando aquela palavra absolutamente desconhecida. O que houve? onde está a minha sala, mesa e computador. Estendo as mãos e caminho em linha reta, tomando cuidado para não esbarrar em algum eventual objeto. A sala, no entanto, parece estar vazia. Após alguns minutos dou-me com uma parede. Absolutamente lisa. Sigo pela esquerda, e verifico que a parede faz uma curva, suave, e, salvo engano dos meus sentidos, se trata de uma curva de cento e oitenta graus, côncava, a continuar, após, em linha reta. Não há trincos ou portas, mas apenas parede lisa, sem menor sinal da luz. Continuo tateando a parede e vejo agora a presença de cantos, em formato de ângulo reto, o primeiro convexo, o segundo e o terceiro são côncavos e a parede segue em linha reta novamente. até deparar-me com uma outra parede em curva, desta vez, convexa, em lado oposto à primeira parede em curva. Ora. Salvo engano, esta sala tem o formato de uma letra n, pensamento que pude confirmar continuando a apalpar as paredes. De fato, a sala possui o formato de uma letra n e não há portas ou trincos ou qualquer outra coisa. Estou aqui preso.

Ah, escrever em primeira pessoa é muito chato, pelo menos no caso de Alenderman. Vamos retomar a terceira aqui que é muito mais delicioso observar o drama alheio do que dele compartilhar. Que desespero tomou conta do nosso tradutor, assim que tal se deu conta. Deitou-se ao chão e, não querendo ser este autor muito clichê, mas foi inevitável que o nosso Alenderman desse um grito. Afinal, as pessoas gritam quando estão assustadas e eu não posso querer ser tão assim original neste blog neonato. Em sonhos, ou pesadelos, e aqui estamos, ao que tudo indica, até o momento, num pesadelo, é comum as pessoas soltarem um grito de pavor. E desse modo foi o que Alenderman fez, ao se deitar no chão e com os olhos fechados, embora inútil esse gesto, ante a total escuridão do cômodo, e com as mãos no rosto, para se proteger sabe-se Deus do quê, mas assim o fez.

Sentia, após esse grito, que algo havia mudado no ambiente. Sim, algo havia sim se transformado e o sentia assim que retirara as mãos do rosto. Pudera perceber que havia agora luz, ainda que estivesse com as pálpebras fechadas. Seria um interruptor sensível ao som? Não saberia dizer, só após abrir os olhos para se saber mesmo.

O nosso tradutor encontrou-se numa sala enorme, cujo chão parecia um enorme texto impresso. Que coisa mais interessante. Da onde se encontrava, podia ler e era justamente o primeiro parágrafo do livro que estava a traduzir. Capítulo um, lia, claro, já traduzindo o que seria do idioma original. O texto estava impresso no chão cujo branco, a imitar a página era um tapete felpudo, bem macio (ah, o nosso herói estava descalço, esqueci de mencionar o detalhe). Onde havia letras, o negro delas era áspero como uma lixa, a quase machucar os pés de Alenderman. Olhara para trás e parecia estar no princípio da sala, igualmente sem portas, ampla, porém muito mais em comprimento que em largura. Imitava um enorme papiro e o texto a se perder de vista em frente. E o jeito era esse. Caminhar para encontrar alguma saída.

E pôs-se a andar o nosso tradutor, acompanhando o texto que quase que conhecia de cor e caminhava, embora o lesse com dificuldade porque o texto estava de cabeça-para-baixo, ou ponta-cabeça, como prefira o leitor, esteja ele em qualquer parte deste Brasil. E seguia o texto, e, engraçado, uma idéia tocou-lhe o âmago: será que aqui eu encontrarei a palavra misteriosa? Provavelmente sim, porém estava muito longe, há vários capítulos de distância daquele trecho. Era preciso apertar o passo.

E o fez. Começou a empreender uma corrida, frenética, pela sala, percorrendo em leitura dinâmica o texto já conhecido. Até onde eu saiba, Alenderman nunca foi dado a correr. Não possuía vigor nem fôlego de atleta, e aquela corrida certamente o cansaria em algum ponto. Mas pouco se importou com isso e continuou a correr, e assim o fez durante alguns minutos, o que transformou o passeio numa ofegante viagem. Conforme chegava mais perto, sentia o coração bater mais forte, e mais assim que percebeu algo. Ou melhor, alguém. Isso, havia alguém a frente, e ao que parece, bem no lugar onde deveria estar a palavra desconhecida.

Conforme aproximava-se, via delinear-se diante dos seus olhos uma mulher muito bonita, bem adornada com jóias e um tecido brilhante, vestida tal qual uma princesa do oriente antigo, numa ocasião festiva. Novamente, pedindo licença a você, leitor, preciso aqui usar mais um clichê: ao se deparar com a mulher, Alenderman viu que ela sorria e olhava para ele fixamente e disse: estava à sua espera, meu querido.

Saga do Tradutor III - Leia somente após os posts anteriores.

Dezembro 27, 2007 by alenderman

Faz algum tempo já que me encontro sob essa luz intensa, quase que dia e noite, sem descanso algum. Tudo bem, durante mais ou menos seis, oito horas, aquele sol branquelo, pálido, congelante, exceto pelo fato de ser luz, mas que encaminha esse facho sobre mim, diretamente, sem dó nem piedade. Neste céu que observo, apenas vejo um sol comprido, formato retangular com uma ponta arredondada, no outro lado um poste em que vai da base deste sol até onde meus olhos não enxergam mais. Não sei se a radiação deste sol me faz mal, e a que fator estou exposto (até porquê física não é meu forte), mas com certeza faria muito mal à minha pele, se eu tivesse uma. Talvez á minha superfície, mas é difícil afirmar qualquer coisa.

Do lado deste sol só o branco do teto, e uns olhos a me observarem. dia e noite, dia e noite, sem parar. Obcecados, fixos e imóveis sobre mim. As vezes acredito que esses dois olhos brilham mais que o sol que descrevi. Vejo-os vagos, inertes, as pupilas quase que não se mexem, e as vezes piscam, como num breve eclipse, mas raramente movem-se para outro local. Engraçado, como o dono desses olhos não os tira de mim. Em alguns momentos passa, porém volta, e fica, permanece, sem saber o que fazer. Parece que do nada surgi e que de repente sou um completo enigma para esse par de olhos.

Não que eu queira me gabar não, mas de fato, chega de me ocultar a vocês, mas eu sou mesmo um grande mistério que apareceu neste texto, neste texto como um todo, o que não escapa à curiosidade de vocês não, viu.  Já há dois posts anteriores há alguem tentando decifrar o meu significado. Alenderman, se não me engano. Mas parece que a coisa está difícil. Sei que ele chegou no meu vizinho, ah, um verbete até fácil eu diria, sempre soube que ele seria decifrado de relance, quase que intuitivamente, mais fácil do que aprender a dizer Eu em qualquer idioma. Acho até que meu vizinho aqui da direita é mera preposição ou artigo, acrescenta algum sentido a mim, porém é mero acessório. Eu poderia muito bem me virar sem eles, embora, no contexto geral, possa fazer alguma diferença. Mas para que vocês não me acusem de ser prepotente e arrogante, somente por se tratar de um verbete misterioso.

Mas eu devo admitir que sinto um certo orgulho em não ser decifrado. Difícil, muito difícil, como se alguem quisesse me beijar e eu não pudesse. Olha, quero deixar bem claro que eu fui atirado aqui, aqui surgi, não sei como, porquê quando nascemos, nascemos simplesmente, sem saber como e quando. Quem conta sobre o nosso nascimento são nossos pais, ou pai, ou mãe, ou mãe adotiva, ou pai adotivo, enfim, quem gerou a vida, e aí vai qualquer signficado para gerar. Mas eu não nasci de parto. Aliás eu suponho ter nascido como os demais que vi nascer.

Vi uma série de letrinhas saindo de um orifício e jogadas na superfície onde eu me encontro até que, me parece que havia sido completamente preenchida, segundo me informou o verbete debaixo, um substantivo que me pareceu ter uma visão concreta da realidade, sendo que em seguida fomos cobertos por outra folha de papel, daí parei de ver a luz, e tudo o mais e fiquei guardado, guardado durante muito tempo.

Como falei a vocês, eu não tenho como afirmar nada disso. Ninguém sabe sobre a sua própria origem. O adjetivo acima me disse, e acho que ele é sonhador demais, ou visionário. Aliás, adjetivo é um ser com inúmeras qualidades que eu não saberia enumerar todas, mas este aí de cima é muito visionário. disse o seguinte, que todos nós, no começo éramos algo que não se pode descrever ou ver, mas somente se sente, mas ninguém vê. Ele chama isso de pensamento. O pensamento um dia resolve que deveria tomar uma forma, e toma a forma de uma palavra, e para tanto precisa de um papel, que está branco e depois uma máquina joga uma tinta sobre ele e pronto: está o pensamento impresso.

Já o verbo, que segundo ele, foi do verbo que o mundo foi criado, diz que nascemos de fatos, fatos e da realidade. A realidade entra na mente do escritor, que segundo disse, é o dono do par de olhos que sempre enxergo, e ele aperta uma série de botõezinhos, e aí depois é que surgimos. Não há nada de pensamento do nada, é a realidade quem tudo guia.

A mim parece que essa discussão é um papo-furado, do tipo sexo-dos-anjos. Não estou aqui preocupado com a origem de nada. Aliás, eu, intuitivamente acredito que não apareci aqui como os demais. Vocês não me pergutem como, porque já disse e repito, nada sei a respeito da minha origem, o que é muito enigmático. E como gosto de ser enigmático.

 Confesso que me divirto observando os olhos de Alerderman aqui. perdidos, a tentar decifrar meu sentido e traduzir para a tal da língua portuguesa. Mas, coitado, está totalmente perdido e não sabe o que fazer. Ele acredita aliás que eu surgi do nada aqui. Não encontra meu significado em dicionário algum. Olha que eu já fui até tachado de erro de impressão ou de edição. Mas que absurdo!!!! Eu sou cheio de significados sim. Se o seu dicionário não sabe do que se trata, o problema é seu, seu par-de-olhos-de-uma-figa. Que continue então a quebrar a cabeça aí longamente atrás do meu significado. Imagina, eu, um erro de impressão, coisa mais sem-noção. Estou aí é para atormentar mesmo. E quero ver você continuar a tradução desse texto sem saber do que eu trato, Sr. Alenderman. Ah, você também senhor leitor, não pense que escapa ao enigma. Você também acha que eu sou erro de impressão também? De edição? Ou apareci do nada só para atazanar o trabalho de um tradutor? Vê lá o que vai pensar ao meu respeito heim. Sou verbete, porém quero mais é ser tratado com a devida importância, e tenho meu significado próprio.

Saga do Tradutor II - Leia o post anterior

Dezembro 26, 2007 by alenderman

A questão poder-se-ia resolver de outra maneira: vamos consultar outras edições do mesmo livro. Olha, que mágica lâmpada apareceu por sobre a cabeça do nosso bom e inteligente Allenderman. Lembrou-se que havia adquirido algumas edições no idioma original, e outras em inglês e francês, outros dois idiomas que domina bem. Vamos lá, consultar, página…. Ué, a palavra não consta aqui desta edição, que é posterior à que estava usando. E na anterior? Direto à página… O que há? Palavra misteriosa é essa que não se encontra em dicionários ou mesmo nos outros originais.

Mas você, Allenderman, como nosso bom e onipresente leitor também pode acreditar, subestima e muito a nossa internet. Ué, porque estranha o itálico? O termo internet é estrangeiro. Para a estrangeiros seria Internete, ou Rede Internacional? Talvez a língua portuguesa seja demodè ou demodê. Agora eu não quero procurar no dicionário para saber como se escreve, devo é terminar este post, ou talvez este conto, o que seria inédito, pois tenho vários textos no meu hd, inacabados e, caro leitor e internauta, você vai ter de aturar mais e mais insandidades deste blogueiro.

Enfim, depois de tanta tagarelice deste narrador, o nosso Allenderman resolveu googlar o desconhecidíssimo e intrigante vocábulo daquela edição, talvez especial, ou espacial, porque um termo desses parece ter sido cunhado por alienígenas, ou mesmo klingons ou fereing (não se de qual geração de Jornada nas Estrelas o leitor é fã, se é que é de alguma). Que mania essa de divagar, e não terminar este post de uma vez.

Que grande interrogação na cabeça do nosso Allenderman. Vocábulo incerto. Seria um erro de impressão? Não, os termos parecem formar um vocábulo que faria sentido, com radicais, desinência, se fosse verbo, ou um sufixo, indicando substantivo ou adjetivo. Tão indefinido que nem sequer quanto à natureza do termo se sabe, quiçá como decifrar o seu objeto.

 Pobre Allenderman. Preso nesse trabalho intrigante, nesse joguinho que lhe fora pregado pela sua consciência. Poderia ignorar o vocábulo e terminar o trabalho a tempo, a fim de entregar na editora e receber por seu suado trabalho. Mas nosso tradutor não é pessoa que se guia tão somente pelo quanto possa por ele receber. Além do profit há que se pensar no desenvolvimento intelectual da humanidade, dos brasileiros, que precisam ter acesso a este novo mundo de sonhos e fantasias e de pensamentos deste romance estrangeiro, não obstante a nossa literatura seja de excelente qualidade, e aqui n vai qualquer ironia, ao contrário, a nossa poesia e literatura poderia suprir e muito bem toda a nossa carência de estudos, caso houvesse maior interesse pela leitura.

Mas Allenderman, assim como eu, apesar da extrema admiração quanto aos escritores brasileiros, aprecia e muito a obra dos estrangeiros, muito embora ele, como eu, esteja perdido no quinto volume de “Em busca do tempo perdido” de Marcel Proust. Mas veja, se Proust demorou 20 anos pra escrever e estamos, eu e Allenderman, há cinco anos lendo, estamos em vantagem.

O que fazer agora, Allenderman, perdido quanto a esse vocábulo, sem eira nem beira, incapaz de solucionar o problema e de continuar a tradução. O que fazer agora???

Saga do Tradutor

Dezembro 26, 2007 by alenderman

Alenderman estava debruçado sobre o indecifrável livro. Noites e noites a fio a tentar destrinchar qual é o significado daquelas palavras, de tão diferente conceito do nosso bom e idioma pátrio. Como se pode querer que culturas diferentes venham a se entender da mesma forma? Talvez trocando-se um adjetivo por outro, um verbo por outro, consiga fazer transparecer o significado daquela frase.
Mas não, precisava fazer com que aquele texto fosse transpassado para o nosso digníssimo português, diga-se de passagem ao Português do Brasil (e merecem letras maiúsculas ambos).

Mas eis que, insólita palavra aparece no original, impresso, mania que ainda possui. O computador é muito bom editor de texto, mas ler numa tela é algo bem cansativo para o nosso tradutor. Prefere ele um original em papel. Se for papel antigo, amarelado, mofado, melhor. Acredita que os livros antigos são o que de maior sabedoria pode conter.

Sabedoria tanta que agora se depara com aquele vocábulo, absolutamente desconhecido. O cursor do texto a ser traduzido pisca, como se estivesse lá, insistentemente, tal qual tortura chinesa, a falar, vamos, continue a tradução deste texto, as demais palavras pedem passagem para transparecer no idioma pátrio.

 Alenderman, contudo, sente-se incapaz de traduzir. Após anos e anos a fio, de estudos, graduado, pós-graduado, livre-docente e o que mais fosse possível, jamais pensava que, quanto àquele idioma que dominava tão bem, pudesse assim do nada aparecer um tal vocábulo que desafia a tarefa. Isso porque quando decidiu-se fazer a tradução daquela obra, verificou, em passar de olhos, que seria talvez muito fácil e interessage transimitr aos brasileiros, aquela mensagem. Deveria ter lido com mais atenção ao texto, e, arricas-se a dizer qeu nem havia dado conta daquela palavra tão incomum no texto.

Que se vá ao dicinário então, gritava tanto a consciência, do próprio Alenderman, quanto do nosso bom leitor, que está pensando para que tanta bravata, tanta discussão sobre uma palavra, que, como tantas outras, há de ter seu significado por aí já estampado por algum dicionário. Ato contínuo foi o nosso tradutor buscar o pesado e enorme volume, datado de 1997, curiosamente a procurar o verbete.

Podia haver algum problema com aquele dicionário. Erro de edição ou conferência, mas o vocábulo não estava lá não. olhou novamente a fileira de palavras e não conseguiu de fato localizar. Com régua e lápis (sim.. nosso tradutor prefere essa rudimentar ferramenta) acompanho o andar da fileira dos verbetes, tal qual se assiste uma parada militar e os diversos grupamentos em desfile. Mas cadê aquela? Estava em falta!!! e ainda dizia que a edição era revisada.

Ora, o nosso Alenderman queria o quê? Procurar um verbete num dicionário de 1997 e encontrar algo atual, ora essa, faça-me um favor. Mas o termo não parecia se referir, no original a qualquer desses neologismos do nosso século-vinte-e-um-pós-torres-gêmeas. Aliás, a edição do livro datava de quase cinqüenta anos antes, e com tal, deveria estar consignada no dicionário. Que falta mais grave!!! Era o seu dicionário favorito. Criminoso o editor, que de tanto editar, acabou por esconder um verbete importantíssimo. Será que o autor do dicionário sabia disso? Que dureza a vida de um lexicógrafo: demora a vida toda pra escrever um livro que contenha absolutamente todas as palavras do idioma, e eis que por um problema de edição, impressão ou revisão fora sorrateiramente surrupiado.