Alenderman estava debruçado sobre o indecifrável livro. Noites e noites a fio a tentar destrinchar qual é o significado daquelas palavras, de tão diferente conceito do nosso bom e idioma pátrio. Como se pode querer que culturas diferentes venham a se entender da mesma forma? Talvez trocando-se um adjetivo por outro, um verbo por outro, consiga fazer transparecer o significado daquela frase.
Mas não, precisava fazer com que aquele texto fosse transpassado para o nosso digníssimo português, diga-se de passagem ao Português do Brasil (e merecem letras maiúsculas ambos).
Mas eis que, insólita palavra aparece no original, impresso, mania que ainda possui. O computador é muito bom editor de texto, mas ler numa tela é algo bem cansativo para o nosso tradutor. Prefere ele um original em papel. Se for papel antigo, amarelado, mofado, melhor. Acredita que os livros antigos são o que de maior sabedoria pode conter.
Sabedoria tanta que agora se depara com aquele vocábulo, absolutamente desconhecido. O cursor do texto a ser traduzido pisca, como se estivesse lá, insistentemente, tal qual tortura chinesa, a falar, vamos, continue a tradução deste texto, as demais palavras pedem passagem para transparecer no idioma pátrio.
Alenderman, contudo, sente-se incapaz de traduzir. Após anos e anos a fio, de estudos, graduado, pós-graduado, livre-docente e o que mais fosse possível, jamais pensava que, quanto àquele idioma que dominava tão bem, pudesse assim do nada aparecer um tal vocábulo que desafia a tarefa. Isso porque quando decidiu-se fazer a tradução daquela obra, verificou, em passar de olhos, que seria talvez muito fácil e interessage transimitr aos brasileiros, aquela mensagem. Deveria ter lido com mais atenção ao texto, e, arricas-se a dizer qeu nem havia dado conta daquela palavra tão incomum no texto.
Que se vá ao dicinário então, gritava tanto a consciência, do próprio Alenderman, quanto do nosso bom leitor, que está pensando para que tanta bravata, tanta discussão sobre uma palavra, que, como tantas outras, há de ter seu significado por aí já estampado por algum dicionário. Ato contínuo foi o nosso tradutor buscar o pesado e enorme volume, datado de 1997, curiosamente a procurar o verbete.
Podia haver algum problema com aquele dicionário. Erro de edição ou conferência, mas o vocábulo não estava lá não. olhou novamente a fileira de palavras e não conseguiu de fato localizar. Com régua e lápis (sim.. nosso tradutor prefere essa rudimentar ferramenta) acompanho o andar da fileira dos verbetes, tal qual se assiste uma parada militar e os diversos grupamentos em desfile. Mas cadê aquela? Estava em falta!!! e ainda dizia que a edição era revisada.
Ora, o nosso Alenderman queria o quê? Procurar um verbete num dicionário de 1997 e encontrar algo atual, ora essa, faça-me um favor. Mas o termo não parecia se referir, no original a qualquer desses neologismos do nosso século-vinte-e-um-pós-torres-gêmeas. Aliás, a edição do livro datava de quase cinqüenta anos antes, e com tal, deveria estar consignada no dicionário. Que falta mais grave!!! Era o seu dicionário favorito. Criminoso o editor, que de tanto editar, acabou por esconder um verbete importantíssimo. Será que o autor do dicionário sabia disso? Que dureza a vida de um lexicógrafo: demora a vida toda pra escrever um livro que contenha absolutamente todas as palavras do idioma, e eis que por um problema de edição, impressão ou revisão fora sorrateiramente surrupiado.
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