Saga do Tradutor III – Leia somente após os posts anteriores.

By alenderman

Faz algum tempo já que me encontro sob essa luz intensa, quase que dia e noite, sem descanso algum. Tudo bem, durante mais ou menos seis, oito horas, aquele sol branquelo, pálido, congelante, exceto pelo fato de ser luz, mas que encaminha esse facho sobre mim, diretamente, sem dó nem piedade. Neste céu que observo, apenas vejo um sol comprido, formato retangular com uma ponta arredondada, no outro lado um poste em que vai da base deste sol até onde meus olhos não enxergam mais. Não sei se a radiação deste sol me faz mal, e a que fator estou exposto (até porquê física não é meu forte), mas com certeza faria muito mal à minha pele, se eu tivesse uma. Talvez á minha superfície, mas é difícil afirmar qualquer coisa.

Do lado deste sol só o branco do teto, e uns olhos a me observarem. dia e noite, dia e noite, sem parar. Obcecados, fixos e imóveis sobre mim. As vezes acredito que esses dois olhos brilham mais que o sol que descrevi. Vejo-os vagos, inertes, as pupilas quase que não se mexem, e as vezes piscam, como num breve eclipse, mas raramente movem-se para outro local. Engraçado, como o dono desses olhos não os tira de mim. Em alguns momentos passa, porém volta, e fica, permanece, sem saber o que fazer. Parece que do nada surgi e que de repente sou um completo enigma para esse par de olhos.

Não que eu queira me gabar não, mas de fato, chega de me ocultar a vocês, mas eu sou mesmo um grande mistério que apareceu neste texto, neste texto como um todo, o que não escapa à curiosidade de vocês não, viu.  Já há dois posts anteriores há alguem tentando decifrar o meu significado. Alenderman, se não me engano. Mas parece que a coisa está difícil. Sei que ele chegou no meu vizinho, ah, um verbete até fácil eu diria, sempre soube que ele seria decifrado de relance, quase que intuitivamente, mais fácil do que aprender a dizer Eu em qualquer idioma. Acho até que meu vizinho aqui da direita é mera preposição ou artigo, acrescenta algum sentido a mim, porém é mero acessório. Eu poderia muito bem me virar sem eles, embora, no contexto geral, possa fazer alguma diferença. Mas para que vocês não me acusem de ser prepotente e arrogante, somente por se tratar de um verbete misterioso.

Mas eu devo admitir que sinto um certo orgulho em não ser decifrado. Difícil, muito difícil, como se alguem quisesse me beijar e eu não pudesse. Olha, quero deixar bem claro que eu fui atirado aqui, aqui surgi, não sei como, porquê quando nascemos, nascemos simplesmente, sem saber como e quando. Quem conta sobre o nosso nascimento são nossos pais, ou pai, ou mãe, ou mãe adotiva, ou pai adotivo, enfim, quem gerou a vida, e aí vai qualquer signficado para gerar. Mas eu não nasci de parto. Aliás eu suponho ter nascido como os demais que vi nascer.

Vi uma série de letrinhas saindo de um orifício e jogadas na superfície onde eu me encontro até que, me parece que havia sido completamente preenchida, segundo me informou o verbete debaixo, um substantivo que me pareceu ter uma visão concreta da realidade, sendo que em seguida fomos cobertos por outra folha de papel, daí parei de ver a luz, e tudo o mais e fiquei guardado, guardado durante muito tempo.

Como falei a vocês, eu não tenho como afirmar nada disso. Ninguém sabe sobre a sua própria origem. O adjetivo acima me disse, e acho que ele é sonhador demais, ou visionário. Aliás, adjetivo é um ser com inúmeras qualidades que eu não saberia enumerar todas, mas este aí de cima é muito visionário. disse o seguinte, que todos nós, no começo éramos algo que não se pode descrever ou ver, mas somente se sente, mas ninguém vê. Ele chama isso de pensamento. O pensamento um dia resolve que deveria tomar uma forma, e toma a forma de uma palavra, e para tanto precisa de um papel, que está branco e depois uma máquina joga uma tinta sobre ele e pronto: está o pensamento impresso.

Já o verbo, que segundo ele, foi do verbo que o mundo foi criado, diz que nascemos de fatos, fatos e da realidade. A realidade entra na mente do escritor, que segundo disse, é o dono do par de olhos que sempre enxergo, e ele aperta uma série de botõezinhos, e aí depois é que surgimos. Não há nada de pensamento do nada, é a realidade quem tudo guia.

A mim parece que essa discussão é um papo-furado, do tipo sexo-dos-anjos. Não estou aqui preocupado com a origem de nada. Aliás, eu, intuitivamente acredito que não apareci aqui como os demais. Vocês não me pergutem como, porque já disse e repito, nada sei a respeito da minha origem, o que é muito enigmático. E como gosto de ser enigmático.

 Confesso que me divirto observando os olhos de Alerderman aqui. perdidos, a tentar decifrar meu sentido e traduzir para a tal da língua portuguesa. Mas, coitado, está totalmente perdido e não sabe o que fazer. Ele acredita aliás que eu surgi do nada aqui. Não encontra meu significado em dicionário algum. Olha que eu já fui até tachado de erro de impressão ou de edição. Mas que absurdo!!!! Eu sou cheio de significados sim. Se o seu dicionário não sabe do que se trata, o problema é seu, seu par-de-olhos-de-uma-figa. Que continue então a quebrar a cabeça aí longamente atrás do meu significado. Imagina, eu, um erro de impressão, coisa mais sem-noção. Estou aí é para atormentar mesmo. E quero ver você continuar a tradução desse texto sem saber do que eu trato, Sr. Alenderman. Ah, você também senhor leitor, não pense que escapa ao enigma. Você também acha que eu sou erro de impressão também? De edição? Ou apareci do nada só para atazanar o trabalho de um tradutor? Vê lá o que vai pensar ao meu respeito heim. Sou verbete, porém quero mais é ser tratado com a devida importância, e tenho meu significado próprio.

Uma resposta para “Saga do Tradutor III – Leia somente após os posts anteriores.”

  1. Anderson Disse:

    Confesso que a leseira pra ler tava foda, mas por ora, pensei que os tais olhos eram do quadro da sua sala!

    :P

Deixe uma resposta